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Vírus: tudo que você precisa saber.

Vírus: tudo que você precisa saber.

Parte 1: Principais tópicos da Origem à Prevenção.

Atualmente, o Coronavírus é um dos assuntos mais buscados na internet, devido à pandemia que estamos vivendo. Porém, muita informação falsa, sem embasamento científico, vem sendo disseminada pela rede, o que pode contribuir com o aumento do pânico na população e com o risco de transmissão da doença. Por isso, esse texto se propõe a esclarecer as dúvidas relacionadas aos vírus de modo geral, destacando o Coronavírus, com embasamento 100% em ciência de qualidade. Nesse primeiro post, destacaremos as características gerais dos vírus.

Origem

Os vírus, provavelmente, foram as primeiras entidades auto-replicantes da Terra, que por meio de frequentes mutações originaram as células e assim todas as formas de vida que conhecemos. Além disso, os vírus são os entes mais numerosos do mundo, superando o número de células em 10 vezes. Os bacteriófagos (vírus que infectam bactérias) são os mais comumente encontrados. Ainda bem, pois se eles não existissem, provavelmente, estaríamos nadando num mar de bactérias agora!

foto do planeta terra

A maior parte da diversidade genética na Terra reside nos vírus, a maioria ainda a ser investigados. Os vírus estão em todos ambientes do planeta, desde as geleiras até as fontes termais. Ou seja, vivemos em uma “nuvem” de vírus, nós comemos e respiramos bilhões de vírus regularmente, carreamos genomas virais como parte do nosso próprio DNA. Assim, podemos perceber que apenas uma pequena quantidade de vírus causaram doenças em humanos.

Conceito

É um elemento genético que pode se replicar apenas dentro de uma célula viva, chamada célula hospedeira. Eles dependem dessa célula hospedeira para sua propagação. Portante, os vírus são parasitas intracelulares obrigatórios. Logo, necessitam totalmente do hospedeiro, assim quando matam seus hospedeiros, eles serão eliminados. Porém, se forem muito passivos e a defesa do hospedeiro impedir o seu crescimento, eles também podem ser eliminados. Não é fácil ser um vírus!

Virologia

O estudo dos vírus é chamado virologia. Eles infectam todas as formas de vida, ou seja, desde bactérias até humanos, sendo responsáveis por muitas doenças infecciosas em todos esses organismos. Os vírus não são células, assim só podem se replicar, ao entrar em uma célula hospedeira adequada, em um processo chamado infecção. Além disso, o tamanho dos da maioria dos vírus varia de 20 a 1000 nm, para se ter uma ideia a espessura de um fio de cabelo tem aproximadamente 100.000 nm. Sim, os vírus são extremamente pequenos!

Histórico

  • Em 1886, Adolf Mayer demonstrou que a doença do mosaico do tabaco (DMT) era transmissível de uma planta doente para uma planta sadia.
  • Em 1892, ao tentar isolar a causa da DMT, Dimitri Iwanowiski filtrou a seiva de plantas doentes em filtros para reter bactérias, esperando que o micróbio ficasse preso ao filtro. Mas, constatou que o agente infeccioso havia passado pelo filtro, quando injetou o fluido filtrado em plantas sadias, elas contraíram a doença.
  • A primeira doença humana associada a um agente filtrável foi a febre amarela. 
  • Em 1930, os cientistas começaram a utilizar a palavra vírus, que no latim significa veneno, para descrever esses agentes filtráveis.
  • Em 1935, Wendell Stanley isolou o vírus do mosaico do tabaco, tornando possível, pela primeira vez, o desenvolvimento de estudos químicos e estruturais com um vírus purificado. A invenção do microscópio eletrônico, aproximadamente na mesma época, possibilitou sua visualização. 

foto com livros

O lado bom dos vírus

Como mencionado anteriormente, a existência de vírus pode ser bastante positiva aos humanos. Primeiramente, eles agem como controladores da quantidade de bactérias no mundo, podendo ser úteis como biopreservantes em alimentos, evitando a proliferação de bactérias patogênicas e deteriorantes. Além disso, podem ser utilizados como sanitizantes, eliminando microrganismos indesejados nos ambientes a serem higienizados. Também podem ser usados no desenvolvimento de terapias para humanos e animais. Por fim, podem ser utilizados em testes diagnósticos para detecção de bactérias patogênicas.

Replicação – Infecção Viral

O ciclo de replicação do vírus pode ser dividido em cinco estágios principais:

  • ligação (vírus se liga a receptores específicos da célula hospedeira, processo altamente específico entre o vírus e seu hospedeiro),
  • penetração (vírus entra na célula),
  • proliferação dos componentes virais (célula produz os componentes virais que originarão diversas cópias do vírus),
  • montagem do vírus (os componentes são organizados, formando vários vírus),
  • liberação (vírus saem da célula).

Consequências da infecção

  • Infecção citocida – virulenta: a replicação viral resulta na destruição celular, ou seja, a célula morre.
  • Infecção não citocida – persistente: a replicação viral não destrói a célula hospedeira, embora possa ocorrer morte celular devido à reação imunológica da célula.
  • Infecção latente: o vírus entra na célula, mas não se replica, nem há destruição celular.
  • Transformação tumoral – câncer: a infecção viral transforma a célula hospedeira em uma célula cancerígena.

Patogênese Viral

Depende da complexa interação de um grande número de fatores virais e dos hospedeiros. Fatores virais incluem tropismo celular (que tipo de célula e/ou tecido o vírus irá infectar) e patogênese celular. A resposta imune é o fator mais importante do hospedeiro, pois determina se o vírus será eliminado ou não. Às vezes, a própria resposta imune é a responsável pelo dano celular.

Sobrevivência

Como já vimos os vírus dependem de seus hospedeiros para sobreviver. Por isso, precisam ter diversas estratégias para assegurar a sua sobrevivência como espécie. Por exemplo, infecção de espécies silvestres e várias outras espécies animais, transmissão por insetos e outros vetores, incubação (entra no hospedeiro, mas não causa a doença = infecção latente), sobrevivência no meio ambiente e transmissão vertical (mãe para o filho).

Além disso, os vírus podem mudar de hospedeiro devido aos seguintes fatores:

  • Mobilidade urbana; 
  • Hábitos alimentares; 
  • Devastação de florestas; 
  • Crescimento de cidades próximas às áreas de florestas; 
  • Mutação dos vírus. 

Transmissão das doenças virais

Em geral, cada tipo de vírus apresenta uma das seguintes rotas de transmissão:

  • ar,
  • água e alimentos,
  • parenteral e sexual,
  • vetor,
  • animais.

Diagnóstico Laboratorial

Há 2 formas de se fazer o diagnóstico: buscando o vírus (métodos diretos) ou buscando a resposta do organismo (métodos indiretos).

  • Métodos diretos:
  • Microscopia eletrônica, 
  • Isolamento viral e Quantificação,
  • Detecção imunológica,
  • Hemaglutinação,
  • ELISA direto, 
  • PCR, RT-PCR, Real-time PCR, 
  • Sequenciamento. 

cientista visualizando efeito da Lise viral nas células infectadas

  • Métodos indiretos: 
  • Soro-neutralização, 
  • Inibição da hemaglutinação, 
  • Imunofluorescência indireta, 
  • ELISA indireto.

Terapia

O principal alvo deve ser inibir a replicação viral. Porém, os principais obstáculos envolvidos no desenvolvimento desses medicamentos são o baixo nível de especificidade dos agentes em alguns casos os efeitos tóxicos que causam, porque o metabolismo celular também é afetado, também existe a necessidade de iniciar a terapia muito cedo no ciclo de infecção. O que pode ser bastante desafiador, visto que muitas infecções virais demoram a apresentar sintomas importantes.

remédios formando a palavra covid-19

Prevenção

Sem dúvida a principal medida para evitar uma infecção viral são as vacinas. Porém, nem sempre elas estão disponíveis, outras medidas como bons hábitos de higiene, boas práticas durante a preparação de alimentos, saneamento básico, uso de preservativos e não compartilhamento de objetos perfurocortantes são também muito importantes na prevenção de doenças, não só virais, mas também as causadas pelos microrganismos em geral.

lavagem das mãos

Deixe aqui suas dúvidas e contribuições. No próximo post, abordaremos o coronavírus e a COVID-19. Aguarde, toda sexta um post novo!

 

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